terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Último Adeus à Luiz Gonzaga - Cobertura Completa


Apresentação e Direção: Miguel Santos *Radialista, Jornalista, Produtor.
Entrevistas com Genival Lacerda, Reginaldo Rossi, Alcymar Monteiro, Gonzaguinha entre outros artistas.

A Rádio e a Internet

A Internet (leia-se: mídias sociais) veio para mexer com os veiculos de comunicação – o rádio, a TV e a mídia impressa (jornal e revista). Todos sofrem impactos de audiência e faturamento a cada dia que passa. Observe a situação do rádio: as Emissoras em AM cada vez mais esquecidas e as FMs religiosas e de musica só perdendo ouvintes a cada dia. Apenas as rádios voltadas para a noticia sobrevivem nessa batalha pela conquista de ouvintes e patrocinadores.

Ao meu ver, o veiculo rádio precisa ser reinventado para voltar ao tempo em que ninguém vivia sem um aparelho no ouvido. Falta, principalmente, criatividade, porque só a interação com o publico não é a solução para tirar o pé do atoleiro.

(Miguel Santos)

Rádio Capibaribe, Saudades!

Bateu uma saudade no coração. Saudade da Rádio Capibaribe, onde dei meus primeiros passos como radialista. De uma hora para a outra a Emissora saiu do ar sem dar muita satisfação para o ouvinte e prá mim que fui um de seus fundadores. 

Os estúdios ficavam no primeiro pavimento da extinta Casa Barreira, uma loja de peças de automóveis na Rua Siqueira Campos, cujo prédio não existe mais. Depois, a Capibaribe passou a ser chamada Jovem Cap e em 1970 seus estúdios foram transferidos para o prédio dos transmissores, no bairro do Cajueiro. 

Lembro dos companheiros dos primeiros anos: o diretor Arnaldo Moreira Pinto, e seu filho, Humberto Pinto. Genivaldo di Paci, Edson Lima, Miriam Silva, Samir Abou Hana, Cezar Brasil, Rômulo Uchoa, Reginaldo Silva, Jocemar Ribeiro... . não me recordo mais. Os operadores ou controlistas de som eram todas mulheres, comandadas pelo alemão Otto Schiller. Uma inovação na época. 

A Capibaribe era uma Emissora pequena, mas metida a grande. E deixou saudade, principalmente de quem fez dela uma escola como eu.

(Miguel Santos)

RADIO JORNAL – 70 ANOS


Nos 70 anos do Radio Jornal quero relembrar alguns companheiros do meu tempo quando lá trabalhei pela primeira vez. . Recordo as figuras queridas de Nilson Lins e Antenor Aroxa. Para Nilson produzi o programa “Disco Brinde”. Para Aroxa coordenei o programa “Festa de Brotos” que ele comandava nas tardes dos sábados no auditorio da Rua Marquez do Recife.. Pelos corredores, encontrava Geraldo Lopes, Alcinda Beltrão, Geraldo Liberal, João Gomes Neto, Geraldo Silva, Marcos Macena, o discotecário Eraldo Mendonça e o gerente geral Luiz Felipe Vieira, entre muitos outros. Bons tempos. Inesquecíveis.

RADIO JORNAL – 70 ANOS (2)
Eu nem sonhava em ser radialista e ainda menino freqüentava o auditório do Radio Jornal. Era companhia de uma vizinha que me levava para assistir ao programa comandado pelo brilhante locutor-advogado Ernane Seve, ao lado da graciosa Cacilda Lanuza. O programa começava a uma da tarde e terminava às três, porque logo em seguida começava a transmissão do futebol, já que naquela época os jogos eram mais cedo porque não havia ainda iluminação nos estádios. Apesar da inconveniência do horário, o auditório estava sempre lotado, com venda antecipada de ingressos. Lembro que num domingo a atração foi Dick Farney, o romântico cantor e pianista de tantos e imorredouros sucessos.
Alguns cantores “da casa” na época: Jackson do Pandeiro e Almira Castilho, Déa Soares, Creusa de Barros, Sivuca, Regional de Luperce Miranda, entre muitos outros. Tempos inesquecíveis.

RADIO JORNAL - 70ANOS (3)
Figuras anônimas e desconhecidas do público ficaram na minha memória quando pela primeira vez atuei no Radio Jornal: o mimeografista
Zé Safado, com suas mãos manchadas pela tinta do carbono usado para a redação dos textos dos programas; Mané Pessoa, o continuo fardado a caráter, que conduzia o chapéu do dr. F. Pessoa de Queiroz, toda vez que o
Superintendente chegava no prédio da Emissora, na Rua Marquez do Recife. Tinha outro Mané, o da bilheteria, que vendia os ingressos antecipados para os programas de auditório. Tinha, ainda, Ademar Lima, que seria hoje um chefe de pessoal, e Virginia, que cuidava do camarim feminino, onde cantoras e atrizes se produziam para atuarem nos programas. Cada um gente boa e que jamais vou esquecer.

RADIO JORNAL – 70 ANOS (4)
São inúmeras as passagens curiosas ocorridas pelos corredores e estúdios do Radio Jornal nos primeiros anos de sua existência. Relembro uma dessas passagens aqui. O cantor Francisco Barbosa estava escalado para cantar num programa de auditório, que começava logo no inicio da tarde. Como ele havia passado a noite e madrugada cantando numa boate
da cidade resolveu ir direto para a Emissora e como o sono o atormentava resolveu tirar uma soneca num local muito próprio: embaixo do piano do palco onde ele próprio se apresentaria naquela tarde. Auditório lotado, locutores a postos para começar o programa, a cortina se abre e diante dos aplausos do publico Francisco Barbosa saia assustado, atravessando o palco de cueca e calça nas mãos...

RADIO JORNAL – 70 ANOS (5)
Fundado em 1948, nos 10 primeiros anos de existencia o Radio Jornal apresentava um quadro de artistas e técnicos que impressionava pelo numero de pessoas contratadas.
O prédio-séde na Rua Marquez do Recife, que custou 35 milhões, 115 mil cruzeiros,em moeda da época, dispunha de 3 estúdios, sendo um o auditório com capacidade para 750 pessoas. A discoteca tinha 18 mil discos. O quadro artístico era formado por 32 rádio-atores; 17 locutores; 11 produtores; 21 cantores; 3 orquestras, sendo uma sinfônica; 2 conjuntos musicais; 8 operadores de som; 14 profissionais no departamento esportivo, além do pessoal de apoio e dos transmissores. Era, realmente, “a era de ouro do rádio” e falava para o mundo pelas 4 ondas curtas e uma média.

RADIO JORNAL – 70 ANOS (6)
Com platéia lotada para aplaudir os artistas que se apresentavam nos programas de auditório, o Rádio Jornal mantinha um elenco de cantores da melhor qualidade. Na década de 50 a Emissora contava em seus quadros cerca de 21 cantores, todos consagrados pelo grande publico ouvinte da época. Cito alguns deles: José Tobias, Marilene Silva Jackson do Pandeiro, Almira Castilho, Onilda Figueiredo, Claudionor Germano, Neide Maria, Irmãs Acyoman, Creusa de Barros e Déa Soares. Todos cantavam acompanhados de orquestra ou conjunto musical, sem os apelos da dublagem ou do “play-back”, tão comuns hoje em dia.

RADIO JORNAL 70 ANOS (7)
Na década de 50 o Rádio Jornal tinha um mestre do rádio-teatro:Geraldo Lopes. Era o diretor de um elenco muito talentoso de rádio-atores, que brindava os ouvintes com a dramaturgia pelo r ádio, um dos pontos mais altos do prestigio e da popularidade da Emissora. Dessa equipe se destacavam: Alberto Lopes, Almerita Ferreira, Jairo de Barros, Arlete Sales, Amarilio Nicéas, Esther Wolkoff, Clenio Wanderley, Monica Maria, Pedro Mota. Ao todo, 31 vozes emprestavam seu talento nos horários destinados às rádio-novelas e programas semelhantes. A Televisão chegou e o rádio mudou. Aquela era , na verdade, “a era de ouro” do rádio pernambucano.

RADIO JORNAL 70 ANOS (8)
O futebol não tinha a dimensão de hoje no rádio da década de 50. As transmissões esportivas se resumiam a uma ou duas
partidas por semana, porque os estádios não dispunham de iluminação. Mesmo assim o Rádio Jornal tinha uma excelente equipe especializada, comandada por Haroldo Praça. Narradores e repórteres da época: Fernando Ramos, Barbosa Filho, Fernando Távora, Manoel Malta, Paulo Duarte, Armando
Chaves. Na redação dos noticiários: Brivaldo Franklin, Sinésio Santa Clara, Francis Holder, Aníbal Pereira e David Gonçalves. No plantão das jornadas o experiente Marcelo Ferreira. O Rádio Jornal marcou muitos gols com essa equipe no campo do rádio esportivo de Pernambuco.

RADIO JORNAL 70 ANOS (9)
Minha primeira atividade como produtor do Rádio Jornal, na década de 60, foi com o “Disco Brinde”. Tratava-se de um programa que presenteava os ouvintes que acertavam testes musicais, como títulos de musicas, seus interpretes, autores, etc. Naquele tempo esse tipo de premiação era uma grande novidade no rádio. Nilson Lins comandava com muita desenvoltura o programa, que era apresentado de segunda a sexta-feira, logo no inicio da tarde. Fui conduzido à função de produtor do Rádio porque já trabalhava na Empresa como redator das colunas de rádio e TV do Jornal do Commercio e Diário da Noite. Nas férias de Medeiros Cavalcanti tive o orgulho e a emoção de escrever o “Almanaque do Almoço”, uma das maiores audiências da Emissora ao meio-dia dos domingos, com narração de Jairo de Barros e Geraldo Liberal. Bons tempos e grandes emoções !

RADIO JORNAL70 ANOS (10)
Além dos programas de maior responsabilidade,cheguei a dirigir um programa de auditório – “Festa de Brotos”, comandado por Antenor Aroxa. Ocupava o horário da tarde dos sábados na eclética programação do Rádio Jornal. O programa tinha os ingredientes dos melhores programas de variedades: conjunto musical, bailarinas, cantores, principalmente aqueles mais jovens, humoristas e a participação muito vibrante da platéia. A locutora que lia os textos ao vivo dos anunciantes era Alcinda Beltrão,na época eleita Rainha do Rádio. A apoteose era sempre com um artista de fama nacional, que costumava excursionar ao Nordeste vendendo seus shows e promovendo seus discos.

(Miguel Santos)

BIBI E EU

Aos 96 anos , Bibi Ferreira, honra e gloria do teatro brasileiro, resolveu descansar. Parar de tudo que fez de grandioso como artista de múltiplas atividades. Ao destacar esse fato me vem à lembrança um importante momento da minha vida: quando atuei ao lado de Bibi no Teatro de Santa Izabel.

Ela realizava temporada no Recife com a oCOpereta “La Conchita” que exigia um elenco de figurantes. Um desses figurantes adoeceu na estréia da peça e um amigo, que participava do grupo, me obrigou a substituir o faltante. Eu nunca tinha nem entrado num teatro e lá estava eu integrando o elenco de um espetáculo, cuja atriz maior era a consagrada Bibi Ferreira. Como figurante sem saber o que tinha que fazer fui sendo levado no palco pelos companheiros. Eram cenas em um cabaré e algumas danças flamencas. No final de quatro encenações, Bibi me agradeceu pela “enorme contribuição’’ que eu havia dado ao espetáculo. Gratidão exagerada da grande atriz, de enorme personalidade.

(Miguel Santos)