Novela da Minha Vida Profissional

ERA DE OURO

Em 1954, fazendo um balanço de seu quadro artístico, a Rádio Jornal do Commercio mantinha em atividade em sua programação um elenco de 17 locutores;  31 radio-atores;  20 cantores; 11 produtores;  3 discotecários; 7 operadores de som e mais 2 orquestras e  3 conjuntos  musicais. Na equipe esportiva atuavam 6 narradores; 8 redatores;  5 técnicos de som. Boa parte desse elenco se apresentava em programas de auditório para um publico médio de 750 pessoas (lotação da platéia). Quando menino, fui um de seus frequentadores.
       
Só as grandes redes de Televisão – nos dias de hoje – conseguem suplantar esse quadro artístico da Emissora do Grupo Jornal do Commercio  nos primeiros anos de sua existência.  Era quando o rádio reinava, absoluto, na preferência popular.
Prédio dos Transmissores do Rádio Jornal em Santana






(Miguel Santos)

UM PIONEIRO


Luiz Geraldo Vieira da Silva foi um pioneiro da TV pernambucana. Sua imagem foi a primeira levada ao ar ainda na fase experimental da TV-Jornal do Commercio em 1960. Antes disso foi locutor de rádio de 53 a 62. De origem humilde foi um batalhador, um obstinado. Enveredou pelo ramo da propaganda e fundou a Aliança Comunicação, entregue  hoje aos seus filhos. Mas, foi como apresentador do programa   “Noite de Black-tie”, que ele ganhou notoriedade, sendo admirado pelo publico  telespectador.  No inicio, tendo omo parceiro o cronista esportivo Barbosa Filho. Depois, surgiram ao seu lado as apresentadoras  Floriza Rossi, Cacilda Lanuza,  Lolita Rodrigues, Carmen Peixoto e Rosita Gonzalez.  Os maiores nomes da musica nacional e até internacional chegaram a participar do programa, inclusive Roberto Carlos. Um quadro do programa ganhou fama: “Cadeira de Engraxate”, em que o saudoso Rui Cabral entrevistava personalidades, entre as quais o Presidente da Republica, Juscelino Kubstcheck.  Luiz Geraldo nos deixou nesta segunda-feira (30/09/2019) e foi gozar da paz eterna

INOVAÇÃO NO RÁDIO


 Pouca gente sabe, mas a Rádio Capibaribe lançou uma inovação na radiofonia pernambucana: a função de operador de som exercida por mulheres, coisa muito rara no rádio do Brasil. A invenção que deu certo foi do diretor técnico da  Emissora, o alemão Otto Schiller, que se valeu da sensibilidade e da dedicação, tão comum na mulher, para  promover essa inovação.  

Assim, nos primeiros anos de funcionamento controle de som da Capibaribe era comandado por quatro operadoras, cujos nomes não me recordo mais. A Emissora tinha estúdios na Rua Siqueira Campos, no centro da cidade. Depois, foram transferidos para a sede dos transmissores no bairro de Cajueiro. Hoje,  lamentavelmente, a Capibaribe, que passou a  se chamar Jovem Cap, está fora do ar, sem previsão de voltar.


(Miguel Santos)




HUMOR NA TV


Na fase mais gloriosa da Televisão pernambucana os programas humorísticos faziam muito sucesso e revelaram talentos para a TV nacional. Como produtores de humor, criadores de quadros e personagens, lembro dos nomes de Luiz  Queiroga, Hilton Marques, Emanoel Rodrigues, Djalma Torres, entre outros. 

Os humoristas mais aplaudidos na década de 60 eram: José SantaCruz, Aguinaldo Batista, Luiz Jacinto,Brivaldo Franklin e César Brasil.  Todos faziam rir  o telespectador da  TV-Jornal e TV-Rádio Clube – as duas Emissoras da época. Hoje em dia, a Televisão pernambucana faz a gente chorar de pena pela total falta de criatividade e de ídolos.



(Miguel Santos)

PROGRAMA ÚNICO

 Imaginem vocês um programa da Globo sendo transmitido simultaneamente pelas demais redes de Televisão. Isso jamais vai acontecer,  não é verdade ?  Mas, na TV pernambucana isso já aconteceu. Foi nos idos de 1962, quando só existiam a TV-Jornal e a TV-Rádio Clube  e se uniram para produzir e transmitir, simultaneamente, o programa “Revista”.

A ideia foi do publicitário Vicente Silva, dono da Viçar Publicidade,  para o3 seu cliente “Bônus  BS”. Uma semana uma Emissora produzia o programa transmitido em cadeia com a outra. Na semana seguinte se dava o rodízio.  Houve até um concurso popular para saber qual das duas Emissoras fazia o melhor.  Constavam dos programas  quadros de humor, musica, dança, reportagens, além da participação de artistas do sul do  País.  Até hoje, pode-se dizer, que “Revista” foi um programa inédito na TV brasileira.


(Miguel Santos)

OFERTAS & DIVIDAS


”Ninguém vende mais barato”,  “Loucura de preços”,  “Descontos de até 70%” e vai  por aí. São os apelos publicitários que muitas lojas se utilizam Para atrair a clientela.  Alguns produtos podem até estar com descontos, mas porque já estão fora do catálogo dos fabricantes ou com validade próxima de se vencer ou ainda estocada há muito tempo no deposito.  De qualquer forma essa é a maneira hoje dos lojistas atraírem consumidores, que adoram a chamada compra por impulso.  Muitas vezes nem estão precisando, mas caem no golpe da oferta e aumentam suas dividas. Fazer a chamada economia é um dever de todo cidadão que vive essa crise que ninguém sabe quando  vai terminar. Pense assim!

(Miguel Santos)

CADÊ A JOVEM CAP?

Quem se lembra ainda da Rádio Capibaribe ou o apelido que botaram nela – Jovem Cap ? Nasceu graças a um grupo de investidores entusiastas, `a frente Arnaldo Moreira Pinto e seu filho, Humberto. Viveu seus primeiros anos graças aos esforços de destacados radialistas, como Cezar Brasil, Samir Abou Hana, Edson Lima, Genivaldo di Paci, Reinaldo Filho, entre outros. A Capibaribe silenciou e ninguém sabe se foi para sempre. Falou-se que voltaria na banda FM, mas nem a sua ultima diretora, Carminha Pereira, se manifesta a respeito. É mais uma perda irreparável para o radio pernambucano.


(Miguel Santos)