Novela da Minha Vida Profissional

CIRANDA, CIRANDINHA


“Essa ciranda quem me deu foi  Lia, que mora na Ilha de Itamaracá”. Pena que essa dança tão típica de Pernambuco esteja  tão esquecida nos dias de hoje.  Na década de 70 ocorriam rodas de ciranda no Pátio de São Pedro, na pracinha de Boa Viagem,  na praia do Janga e na Ilha de Itamaracá. 

Cirandeiros  como Mestre Baracho, Dona Duda e Lia de Itamaracá eram ídolos do publico que adorava esse folguedo. Os compositores Edu Lobo e Capinam criaram a musica “Cirandeiro”, que o Rei Luiz Gonzaga gravou. Lamentavelmente,  a ciranda deixou de ser tão popular como era antes, certamente por culpa  dos órgãos que cuidam da nossa cultura .


(Miguel Santos)

JACKSON: 100 ANOS

 Quem teve o privilégio de assistir as apresentações de Jackson do Pandeiro e sua mulher, Almira Castilho no auditório do Rádio Jornal deve reconhecer o talento desse nordestino de valor. Este ano, Jackson completaria 100 anos  se estivesse vivo.

Cantor e compositor, nasceu em Alagoa Grande (Paraíba) em 31 de agosto de 1919. Começou tocando zabumba acompanhando a irmã cantora de coco-de-roda.  Morou em Campina Grande e João Pessoa, mas foi no Recife que seu nome se projetou como cantor de emboladas, coco, baião, xaxado  frevo, entre outros gêneros musicais. 

Tinha 35 anos quando gravou o primeiro grande sucesso: “Sebastiana”.  Depois vieram “Um a Um”, “Forró em Limoeiro” e uma carrada de 30 LPs, que o consagraram e a quem Luiz Gonzaga considerou o maior ritmista da historia da musica popular brasileira. José Gomes Filho era seu nome de batismo. Achou bonito Jack que era o nome de um artista do cinema mudo da época. Virou Jackson para ficar mais sonoro.  Morreu em Brasília e foi sepultado no Rio. E se transformou em um ícone da historia musical brasileira. 

(Miguel Santos)

TAMANDARÉ


Quando a Rádio Tamandaré inaugurou sua nova fase, em 1983, eu participava  de sua equipe de produção. O Sistema Verdes Mares de Comunicação, pertencente ao Grupo Edson Queiroz, com sede no Ceará, dava aos pernambucanos um grande presente em forma de comunicação criativa, moderna, vibrante e alegre.  Participavam da equipe de comunicadores Samir Abou Hana, Ednaldo Santos, Jota Albuquerque, Walter Lins e Lacerdinha, entre outros.  Na equipe esportiva estavam Rubens Souza, Luiz Cavalcanti, Edvaldo Morais, Carlos Miranda, Haroldo Rômulo, Uaci Matias. No jornalismo, Fernando Veloso, Paulo Fradique, Regina Lima, para citar somente esses. Em 9 meses de trabalho árduo colocamos a Tamandaré em primeiro lugar em audiência. Um feito extraordinário no rádio pernambucano.


(Miguel Santos)

A REVOADA


No inicio da sua existência (década de 60) a Televisão pernambucana revelou grandes talentos. E a revoada desses artistas consagrados em Pernambuco terminaria enriquecendo o elenco das TVs do sudeste do País. Na primeira leva, em 1964, seguiram: José Santa Cruz, Lucio Mauro, Arlete Sales e o produtor A.G. Melo Junior. O grupo maior seguiu  meses depois: Aguinaldo Batista, Luiz Queiroga, Meves Gama, Célio Roberto, Luiz Jacinto (o “Coroné Ludugero”), José Augusto Branco, Genival Lacerda, entre outros, além de técnicos de som e de imagem. Naquele tempo as Redes Bandeirantes, Globo e Associadas mantinham “olheiros” para catar talentos em Pernambuco. Bom para os artistas, mas um grande prejuízo para o nível artístico das Emissoras. 



(Miguel Santos)

LETRAS NA CARA


Galba Araujo, dublê de cantor e advogado competente, falecido no Rio de Janeiro, aonde foi morar, costumava aparecer nos bastidores durante o “Programa Jota Ferreira”, apresentado nas tardes do sábado no auditório da TV-Jornal.  Mesmo sem estar escalado, ele ia rever os amigos, como o próprio Jota, eu e Zuca Show, que trabalhava comigo na produção do programa.  Numa dessas vezes, faltando dois minutos para acabar o programa, Jota, de surpresa, achou de anunciar Galba para cantar. Galba entrou na maior empolgação.  Quando a musica ainda estava no primeiro minuto, foram inseridos, em superposição de imagem, os créditos finais do programa. Parte da musica foi só para a platéia. No final, Galba veio a mim para agradecer pela oportunidade e disse, meio intrigado: - “Só não entendi por que meteram aquelas “letras” na minha cara enquanto eu estava cantando...”  Preferi não explicar o ocorrido. 


(Miguel Santos)

ULTIMA HORA

 Tive o privilégio de trabalhar na Edição Nordeste do combativo jornal “Ultima Hora”, cuja redação ficava na Rua Visconde de Goiana, na Boa Vista. Era editor de uma coluna sobre o Rádio e a TV. Não era simplesmente um jornal.  Era uma escola de jornalismo. Não havia espaço para o corriqueiro. Textos e ilustrações eram tratados com mais rigor, objetividade e competência. Lembro de um fato que faz a diferença desse Jornal. No dia da Procissão do Senhor Morto pelas ruas do Recife o diretor Mucio Borges da Fonseca chamou o chefe do departamento fotográfico, Clodomir Bezerra, e solicitou uma foto do evento, mas que não aparecesse padre, freira e até mesmo o andor da procissão.  Clodomir gastou vários rolos de filmes fazendo inúmeras fotos, mas em todas apareciam as figuras ‘condenadas” pelo diretor do jornal. Desanimado, ele retornava para a redação,  quando avistou uma criancinha sentada no meio-fio da Ponte da Boa Vista, vestida como se fosse um anjinho, de mãos postas, como se estivesse rezando. Clodomir fez a foto, que foi a capa da primeira pagina do UH-N do dia seguinte, passando para o leitor todo o sentimento do ato religioso  O jornal era assim: surpreendente. Fechou por força do regime militar depois de 22 meses de existência.


(Miguel Santos)

A RÁDIO DAS MUDANÇAS

A Rádio Tamandaré fez historia no rádio pernambucano. Pertencia ás Emissoras Associadas e tinha estúdios no prédio do antigo Cinema Politheama, na Rua Barão de São Borja, na Boa Vista, onde realizava atraentes programas, inclusive de auditório.  Em 1960, nove anos depois  de inaugurada, a Emissora mudou de endereço e de programação com o surgimento da Televisão. Passou a funcionar no Palácio do Rádio, na Cruz Cabugá, onde se localizam hoje  a TV e a Radio Clube.  Ganhou uma programação musical semelhante a da Rádio Tamoio, do Rio de Janeiro, com o “slogan” que ficou famoso: “Rádio Tamandaré - musica somente musica e apenas um anúncio por intervalo”.

 Adquirida pelo Grupo Verdes Mares, de Fortaleza, a ZYK-20 mudou novamente de endereço e de Programação.  Passou a funcionar na Av. Mascarenhas de Morais,  na Imbiribeira, num prédio colado à revenda da Brasilgás do mesmo grupo. A programação foi entregue ao experiente radialista Samir Abou Hana, que reuniu uma equipe muito competente e em menos de nove meses colocou a Tamandaré líder em audiencia.  Atualmente, a Tamandaré  está servindo a uma Igreja evangélica, com estúdio no prédio de seus transmissores no bairro de Peixinhos. Foi a Emissora pernambucana  que mais mudou de endereço e de programação.


(Miguel Santos)