Novela da Minha Vida Profissional

NOVELA NO RÁDIO


Será que daria certo a volta da rádio-novela ?  Esse segmento é o de maior audiência da Rede Globo de Televisão hoje em dia.  No rádio isso também já aconteceu. Os empresários fogem da novela no rádio por causa dos custos. Mas, poderia se buscar um elenco da rádio-atores  nas escolas de comunicação ou no teatro a preço de experiência ou estágio. Fica a sugestão. Para quem acompanhou “Jerônimo – o Herói do Sertão” e outros seriados fica sempre dentro de nós a lembrança de um rádio inesquecível.

PROGRAMAS DE AUDITÓRIO


Os chamados “programas de auditório” conquistaram grande audiência e popularidade no rádio e na TV de Pernambuco. Hoje não existem mais.

Fui produtor de alguns deles:  “Festa de Brotos”, comandado por Antenor Aroxa, na Rádio Jornal;  “Programa Jota Ferreira”,  na TV-Jornal,  aos sábados, à tarde;  “A Noite é do 11”,na TV-Universitária, com José Maria Marques, cuja platéia  era formada por alunos das escolas públicas do Estado. Eram programas onde os artistas sentiam mais de perto o aplauso do público. 

Lamentávelmente, estão fora da pauta dos que fazem o  rádio e a TV nos dias de hoje, embora esses programas ainda existam em rede nacional.

(Miguel Santos)


A TV DO PASSADO


A programação da TV pernambucana (TV-Jornal e TV-Radio Clube) nos seus primeiros anos de vida, era inteiramente ao vivo. Começava às 4 da tarde e se encerrava às 11 da noite só com programas produzidos e apresentados por gente da terra e eventuais filmes. Hoje, com o advento das redes satelizadas, a TV passa o tempo todo ligada, difundindo a cultura do sudeste do País.

 A TV de ontem, apesar de toda a tecnologia de hoje, era melhor porque falava a nossa linguagem. Quem  acompanhou  “Noite de Black-tie”, comandado por Luiz Geraldo, e “Você faz o show”,  com Fernando Castelão, pode atestar  que nenhum programa do gênero produzido hoje suplanta em popularidade e qualidade aqueles  programas do passado, resguardada a parte tecnológica. Recordar é viver e...comparar. Se você se lembra pode perceber que eu tenho razão.

(Miguel Santos)

“ZÉ DO GATO”


Começou como redator esportivo. Depois, se tornou um dos mais populares comediantes da  TV pernambucana, chegando a ser cogitado para se transferir para o sul do País. Brivaldo Franklin de Melo atuou no departamento esportivo da Rádio Clube até se transferir para a Radio Jornal, abraçando a carreira de radio-ator.  Daí, virou comediante encarnando o matuto filósofo “Zé  do Gato”, criação do produtor Djalma Torres, outro talento pernambucano.  A atriz paulista Nair Silva formava a dupla cômica, que passou mais de três anos em evidencia na TV-Jornal. “Zé do Gato” fez historia na TV pernambucana. Humor brejeiro, jocoso, que não se faz mais hoje na Televisão brasileira.
(Miguel Santos)

LOCUTOR CARIOCA


Walter Lins, saudoso amigo, no auge de sua brilhante carreira de animador de auditório na Rádio Clube, costumava me convidar para acompanhá-lo toda vez que comparecia a  uma festinha em sua homenagem. 

Certa noite, estávamos numa dessas reuniões na casa de uma fã, quando Walter  resolveu, de surpresa,  me apresentar como se eu fosse um famoso locutor da Radio Nacional  do Rio de Janeiro, de passagem pelo Recife. 

Assumi o papel na certeza de  que Walter iria revelar que tudo não passava de uma brincadeira e que eu era na época um jovem jornalista, correspondente da “Revista do Rádio”.  Mas, a brincadeira foi longe demais.  Walter segurou a “onda” e eu passei a noite toda cumprimentando gente, dando autógrafos e falando com voz impostada de locutor carioca para não comprometer  o querido e inesquecível amigo. Coisas da nossa juventude!

(Miguel Santos)

O PODER DA CONCORRÊNCIA


Vejam como a concorrência influi na melhoria da qualidade de  qualquer produto consumido pelas pessoas. A Rádio Jornal, por exemplo, se mantinha na liderança de audiência, chegando a demitir alguns de seus bons profissionais. 

Alguns demitidos foram reforçar a programação da Rádio Tranzamerica do Recife, cuja audiência cresceu com isso. Resultado: a  Emissora Líder modificou sua programação para não perder pontos na preferência popular para  a nova concorrente, principalmente nos horários esportivos.  

Isso é bom para o ouvinte, já combalido pela falta de opções de bons programas no rádio pernambucano.

(Miguel Santos)

CACHÊ INUSITADO


Na qualidade de assistente da direção geral da TV-Jornal do Commercio, eu era encarregado de pagar os cachês de alguns atores e coadjuvantes que atuavam no elenco de “A Moça do Sobrado Grande”, a primeira novela produzida em Pernambuco em 1967 e que chegou a ser exibida na TV Bandeirantes de São Paulo. 

Comecei a estranhar que aparecia um nome na lista dos atores que eu nunca via aparecer nos capítulos da novela dirigida pelo experiente Jorge José de Santana. Curioso, fiz a pergunta ao cara: - “Você faz o que na novela ?”  De pronto, ele me respondeu; - “Não faço nada. Quem faz é o meu jumento que puxa a charrete.”  Realmente, havia isso no consagrado seriado,que reuniu Carmen Peixoto, Jones Melo, José Pimentel,Walter Breda, Carolina Andrade, Roberto Ney, entre muitos outros, além de 60 figurantes.

(Miguel Santos)